Concorrência na fisioterapia: pare de ver seu concorrente como seu inimigo

Uma das grandes preocupações dos fisioterapeutas é a falta de pacientes. É instintivo que os profissionais autônomos, que necessitam de pacientes de forma recorrente, queiram proteger o mercado.

Mas vou te contar uma coisa: não é enxergando o seu concorrente como alguém que irá competir pelos mesmos pacientes que você que essa preocupação vai sumir. Faz sentido, mas não é a melhor estratégia, já que existem formas mais eficazes de se atrair pacientes, inclusive fazendo parcerias com os seus colegas!

Nesse artigo, vamos conversar se precisamos mesmo nos preocupar com escassez de pacientes, como podemos crescer sendo parceiros dos nossos concorrentes.

Mas tem paciente para todo mundo?

A cada ano, centenas de novos fisioterapeutas entram no mercado de trabalho que parece sim estar cada vez mais saturado. Porém, tenho segurança em dizer que tem paciente para todo mundo sim. O motivo dessa afirmação é que a maioria dos pacientes que poderiam se beneficiar com o nosso trabalho ainda não sabe que precisa da gente.

Vou exemplificar: na fisioterapia pélvica, muitas mulheres não sabem que perder urina não é normal, muito menos que o tratamento é fisioterapeutico. Na ortopedia, quantas pessoas convivem com dores lombares crônicas e, mesmo sendo padrão-ouro o tratamento conservador, não recorrem ao fisioterapeuta. Na neuropediatria, quantas crianças têm atrasos no desenvolvimento e desconhecem o impacto disso e os benefícios da estimulação fisioterapêutica?

Logo, quem rouba os nossos pacientes não são os concorrentes, mas a desinformação da população sobre a excelência da fisioterapia.

Veja a aula ao vivo sobre esse assunto:

Como ser parceiro do seu concorrente pode te fazer crescer?

Vamos supor que todos os pacientes da sua especialidade sejam representados por uma pizza e que você tenha no seu consultório uma fatia dessa pizza – ou seja, uma parcela desses pacientes. Para aumentar o número de pacientes, ou você toma a fatia que é de outro fisioterapeuta, ou aumenta o tamanho de toda a pizza.

Para aumentarmos o tamanho dessa pizza e mostrarmos para os pacientes que eles irão se beneficiar com nossos tratamentos, temos que informar a população, mostrarmos nosso valor, sensibilizarmos outros profissionais da saúde, entre outras ações. O pulo do gato aqui é que fica muito mais fácil fazermos isso em parceria, como grupo, do que cada fisioterapeuta separado.

É assim que as praças de alimentação funcionam. Os restaurantes são concorrentes, teoricamente competem pelos mesmos clientes. Mas ao se unirem num mesmo lugar, atraem muito mais clientes para consumirem lá. E seria muito difícil cada restaurante separadamente conseguir tamanha demanda.

E o que não vai te fazer crescer!

Difamar o colega, em hipótese alguma, contribui para o seu crescimento. Com certeza você já teve em seu consultório algum paciente que já havia iniciado tratamento com outro fisioterapeuta, e que muitas vezes se queixa dele para você. Ou então, que ao te contar o que fazia anteriormente com o outro profissional, você discorda das condutas dele.

Agora pensa comigo: falar mal do seu colega, mesmo discordando dele, vai mudar o passado? Vai te beneficiar em algo? Não, pelo contrário. Além de você estar agindo sem ética, você está abrindo a brecha para que esse paciente (e todas as outras pessoas com quem ele conversar) se questione quanto à resolutividade dos fisioterapeutas.

E sabe quem se queima quando a fisioterapia deixa de funcionar? Todos os profissionais que trabalham com ela. É a mesma coisa que fazer a pizza encolher, o que também diminui a sua fatia.

Discordou da conduta do colega? Fale diretamente com ele. Questione-o e demonstre diretamente sua preocupação. Se tem algo que devemos respeitar é a conduta profissional de cada fisioterapeuta. Se algo nos incomoda, podemos questionar o colega, mas vai contra o nosso código de ética difamar o profissional.

A importância de se diferenciar

Agora que te convenci que todo mundo se beneficia quando se apoia e não se prejudica, que não vai faltar pacientes e que já sabemos que devemos aumentar o número de interessados pelo nosso serviço através da informação e da sensibilização das pessoas quanto à fisioterapia, quero te dar uma última dica.

Cada paciente tem suas características, assim como cada profissional tem as suas. O seu perfil de atuação agradará alguns, assim como outros pacientes irão preferir outros profissionais. Por isso, é importante se diferenciar e atuar dentro da sua autenticidade e do que para você é o melhor atendimento possível.

Se por acaso um paciente te trocou pelo colega, a culpa pode não ser do seu atendimento ser ineficaz, mas porque o seu estilo de trabalho não se adeque ao estilo do paciente. E tá tudo bem, que bom que existem profissionais que se encaixem nesse perfil. Já você, siga atraindo pacientes que vejam valor no que você tem a oferecer e se encantem por isso. Assim, todo mundo cresce e, principalmente, a fisioterapia se fortalece como um todo.

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Betina Foscarini

Betina Foscarini é uma fisioterapeuta gaúcha que se dedica a uroginecologia e obstetrícia, em sua clínica em Porto Alegre. Encontrou, através do empreendedorismo e do marketing digital, uma forma de concretizar a sua missão de ajudar cada vez mais mulheres, dentro e fora do seu consultório.

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