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    Disfagias orofaríngeas: entenda como fazer avaliação e tratamento

    Disfagias orofaríngeas: entenda como fazer avaliação e tratamento

    • 19 de junho de 2019
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    As disfagias orofaríngeas são disfunções no processo de deglutição e/ou alimentação, e têm como principal característica a dificuldade para engolir alimentos sólidos e líquidos.

    Essas alterações podem provocar graves complicações pulmonares, desidratação e desnutrição, que estão relacionadas a altos índices de morbidade e mortalidade. Nesse sentido, é essencial que os fonoaudiólogos entendam as formas de avaliação e de tratamento das disfagias.

    Este artigo tem por objetivo apresentar os principais aspectos das disfagias orofaríngeas, bem como as técnicas e os recursos tecnológicos que o fonoaudiólogo pode empregar para a avaliação e o tratamento dessas disfunções. Continue a leitura para saber mais!

    Quais são as causas das disfagias orofaríngeas?

    As disfagias orofaríngeas podem ser congênitas ou adquiridas em decorrência de comprometimento mecânico, neurológico ou psicogênico. Dessa forma, elas são classificadas de acordo com a etiologia.

    Mecânicas

    São alterações nas estruturas envolvidas na deglutição normal. Também podem ocorrer por anormalidades orgânicas nas estruturas que compõem o trajeto do bolo alimentar, como nos casos de traqueostomia (com ou sem a ocorrência de cuff), uso de sondas para alimentação, pós-intubação orotraqueal, ventilação mecânica e tumores de cabeça e pescoço.

    Psicogênicas

    Alterações emocionais, distúrbios psíquicos primários ou secundários, como nos quadros ansiosos, conversivos e depressivos.

    Neurogênicas

    Provocadas por doenças ou traumas neurológicos, como tumores cerebrais, demências, paralisia cerebral, Esclerose Lateral Amiotrófica, Mal de Parkinson, Esclerose Múltipla, Acidente Vascular Encefálico (AVE) e Traumatismo Craneoencefálico.

    Quais são os fatores de risco?

    O avanço da idade é um dos maiores fatores de risco. Segundo estudos relatados no Congresso de Barcelona (Espanha), a disfasia orofaríngea é uma condição com alta prevalência em pacientes idosos e/ou com doenças neurológicas.

    Muitas vezes essas doenças não são percebidas e investigadas, podendo agravar e levar a complicações como desnutrição, desidratação e pneumonias aspirativas, que apresentam alto índice de morbidade e mortalidade.

    Quais são os sintomas?

    A disfunção provoca no paciente uma sensação de que o alimento ou líquido está parado na boca, na garganta ou no esôfago. Os principais sintomas dessa alteração são:

    • redução do controle de saliva;

    • disfunção na mastigação;

    • dificuldade para deglutir;

    • regurgitação nasal;

    • engasgos durante ou após as refeições;

    • cansaço ao se alimentar;

    • presença de resíduos alimentares na cavidade oral;

    • refluxo nasal;

    • soluço;

    • desidratação;

    • alteração na voz;

    • dispneia após a alimentação;

    • xerostomia;

    • pneumonia;

    • complicações pulmonares.

    Muitos estudos vêm sendo realizados visando estabelecer ações preventivas, para minimizar as complicações. Para tanto, é fundamental realizar uma avaliação detalhada da deglutição.

    Como fazer a avaliação?

    O fonoaudiólogo realiza um exame clínico, com o objetivo de obter informações e identificar achados sugestivos de alteração da fisiologia da dinâmica da deglutição em pacientes.

    É realizada, então, uma primeira avaliação de forma indireta (sem oferta de alimento), a fim de verificar os aspectos de postura, tônus, mobilidade e sensibilidade das estruturas que compõem o processo da deglutição.

    Em seguida, é feita uma avaliação direta, com oferta de alimentos em diferentes quantidades e consistências, para analisar a dinâmica da deglutição, inter-relacionando as suas diversas fases.

    Fase oral

    Fase em que se inicia o processo da mastigação. Nessa fase, a língua se move para empurrar o bolo alimentar em direção à faringe. Todo esse processo é realizado por contrações voluntárias dos músculos do rosto e da cavidade oral.

    Fase faríngea

    É a fase mais complexa da deglutição, devido à quantidade de estruturas atuantes e a necessidade de coordenação temporal entre as funções respiratória e digestória. É realizada de forma consciente, mas involuntária, na qual ocorre apneia por cerca de um segundo, a fim de facilitar a passagem do bolo alimentar para o esôfago.

    Fase esofagogástrica

    É um processo involuntário e mais lento, no qual o bolo alimentar entra no esôfago e é levado ao estômago por meio dos movimentos peristálticos.

    Outros exames também podem ser realizados, como a nasofibrolaringoscopia, a videofluoroscopia e a eletromiografia de superfície.

    Nasolaringofibroscopia

    É um excelente método para avaliar a sensibilidade da mucosa. Esse exame é realizado por um otorrinolaringologista por meio de um nasofibroscópio flexível que contém uma fonte de luz. Após anestesia tópica, o aparelho é inserido na fossa nasal.

    A avaliação utiliza alimentos de qualquer consistência e volume, variando a posição da cabeça do paciente no momento do exame. Entretanto, o momento da deglutição não é visualizado.

    Videofluoroscopia

    Essa é uma avaliação considerada como o método “gold standard”, tendo em vista que revela muitas informações fisiológicas da deglutição por meio de imagens. É realizada por uma equipe multidisciplinar, com médico e técnico radiologista, fonoaudiólogo e outros profissionais das especialidades afins.

    O paciente deve ser avaliado em posição lateral e depois frontal. Com a introdução do contraste é possível observar as fases da deglutição e o relaxamento do músculo cricofaríngeo.

    Eletromiografia de superfície

    A eletromiografia de superfície (EMGs) é um método não invasivo, que pode ser feito em um laboratório padrão de eletromiografia (EMG). Trata-se de um exame reprodutível, simples e com baixo nível de desconforto.

    A EMGs fornece dados importantes para a avaliação de alguns parâmetros de deglutição e proporciona uma melhor compreensão do mecanismo fisiológico da deglutição normal e patológica.

    É importante observar que a eletromiografia de superfície e a videofluoroscopia são exames que se complementam para o estudo e diagnóstico dos distúrbios da deglutição.

    Como fazer o tratamento?

    O principal objetivo do tratamento da disfagia é o de nutrir e hidratar o paciente por meio da alimentação oral. Quando isso não é possível, a alternativa é oferecer a alimentação entérica.

    Para tanto, são aplicados exercícios, treinos e/ou manobras com alimentos de diferentes consistências, fortalecimento muscular e estimulação neuromuscular. Há também investigações sobre alguns agentes farmacológicos envolvidos no metabolismo da dopamina que podem melhorar a deglutição e o reflexo da tosse nos idosos.

    Que recursos tecnológicos potencializam a avaliação e o tratamento?

    Os recursos tecnológicos da Miotec se apresentam como excelentes potencializadores dos exames de avaliação e tratamento das disfagias orofaríngeas. Por meio da eletromiografia de superfície é possível registrar o início da atividade elétrica dos músculos onde os eletrodos estão inseridos e identificar a ação muscular durante a deglutição de forma numérica e gráfica.

    Nas terapias, o biofeedback eletromiográfico pode ser utilizado como um recurso para o monitoramento da atividade muscular do paciente. Ele é eficaz para a melhoria da contração e elevação faríngea durante a deglutição laríngea e pode ser utilizado também para equilibrar o fechamento labial e a mobilidade da língua.

    Já existem muitos estudos demonstrando a eficácia no uso do biofeedback nas terapias de disfagias. A propósito, uma pesquisa de revisão de literatura sobre a aplicação da técnica para as disfunções orofaciais neurogênicas concluiu que ela pode produzir efeitos benéficos aos indivíduos com doenças neurológicas nas funções de deglutição, expressão facial e fala.

    Conforme verificamos, as disfagias orofaríngeas são disfunções no processo de deglutição que podem provocar graves complicações relacionadas a altos índices de morbidade e mortalidade. Nesse sentido, é importante entender como fazer a avaliação e os tratamentos mais adequados para a reabilitação do paciente.

    Esperamos que este artigo tenha contribuído para o entendimento da avaliação e do tratamento das disfagias orofaríngeas. Para conhecer melhor os recursos tecnológicos da Miotec, entre em contato conosco!

    A Miotec tem a missão de entender as necessidades dos pacientes e de desenvolver soluções para dar suporte aos profissionais da área da saúde, para que eles tenham mecanismos mais eficientes a favor dos tratamentos feitos. Tendo como objetivo a melhoria das capacidades físicas e motoras daqueles que precisam de tratamentos fisioterapêuticos, a Miotec desenvolve diversos produtos para contribuir com a qualidade de vida dos pacientes.

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    A Miotec

    Fundada em 2002, a MIOTEC atua na área da saúde, desenvolvendo, produzindo e comercializando ferramentas tecnológicas direcionadas à pesquisas e terapias de prevenção, reabilitação e monitoramento, objetivando melhoria do bem-estar e do desempenho físico humano.

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